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[POESIA] Crepúsculo Chuvoso – Ephraïm Mikhaël

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Crepúsculo Chuvoso – de Ephraïm Mikhaël em Musa Francesa (1917)

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Cae o tedio sobre mim como a névoa do outomno

Que cae a tarde, a descambar, lentamente condensa.

Um tedio que me pesa, infinita descrença

Que me oprime, qual noite escura de abandono.

No entanto, amor algum me torna acabrunhado;

E é até sem lastimar os antigos instantes

Que ao longe torno a ver vagas  formas errantes,

Minhas recordações no jardim do passado.

Mas, entretanto, agora, a esse horror que me aperta

De uma tarde de chuva, e na escuridão lenta,

Sinto meu peito, de onde amor nenhum se ausenta,

Triste e silente como uma alcova deserta….

 

Tradução: Álvaro Reis

*Texto reproduzido em português antigo.

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Confissões de uma bisneta

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Como já expliquei aqui, esse blog nasceu somente por uma coisa: amor.

Amor por minha vó e por todas as histórias que ela contava enquanto teve memória para tal. E eu aproveitei tanto e conheci Álvaro Borges dos Reis e Antônio Alexandre Borges dos Reis, respectivamente seu pai e avô, que parece que convivi com eles.

Aos poucos, a medida que fui crescendo, fui percebendo a importância do que eles haviam realizado. Antes eram só histórias. Agora, motivos de orgulho.

Resolvi deixar um registro para que a história não se perca. Pensei em fazer um livro, mas cadê a paciência? Resolvi criar esse espaço aqui, primeiramente, para as gerações mais novas da minha família. Muito me alegra em ver que o que escrevi aqui e no Wikipédia, serviram de fontes para artigos sobre poesia francesa e os autores que Álvaro traduziu, medicina legal e história. É uma prova da, sem falsa modéstia, importância dessas duas figuras.

Me orgulho muito de abrir uma revista, em pleno 2015, e dar de cara com uma foto que Álvaro está no meio, junto de grandes médicos. Também em pesquisar e ver que ele foi amigo da elite intelectual baiana nos idos de 1900, que ele criou coisas, que ele teve iniciativas incríveis como a revista Nova Cruzada, que ele deixou um legado.

Vou continuar pesquisando e trazendo todas as informações relevantes que eu encontrar por aqui.

Caso tenham algo para agregar ou alguma sugestão/pedido/dúvida, entrem em contato através do papyds@gmail.com

Obrigada!

Paula Dultra

ÁLVARO BORGES DOS REIS EM MATÉRIA SOBRE OSCAR FREIRE

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Foi veiculada no último domingo, 26 de abril, uma matéria na Revista Muito do Jornal A Tarde (Salvador-BA) sobre Oscar Freire. Nela citam os precursores da Medicina Legal na Bahia, entre eles o Dr. Álvaro Borges dos Reis.

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Livro de Antônio Alexandre em exposição do IPAC

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Acontece até o final de janeiro a exposição “Obras Raras” do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), aberta gratuitamente para o público.

“A mostra é uma das ações comemorativas dos 45 anos de fundação do IPAC, cuja programação só acabará em setembro de 2012. Localizada no Solar Ferrão – originário do século XVII e tombado como monumento nacional – que fica na Rua Gregório de Mattos, a mostra está instalada na biblioteca do IPAC que detém obras raras como a Notícia geral da capitania da Bahia de 1759 e A restauração da cidade do Salvador de 1847. Almanak da Bahia de Antonio Borges dos Reis de 1903, e o Tombo do Mosteiro de São Bento de 1945, são outras raridades.

Há ainda a edição fac-similar Salvador: Beneditina de 1951, e Os presidentes da província da Bahia 1824-1888, de Arnold Wildberger em 1949. A exposição fica aberta de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h, e aos sábados das 9h às 12h. Publicações dos séculos XVIII, XIX e XX que marcam a história da Bahia são as atrações.

 Mais informações através do telefone (71) 3117.6384 ou pelo endereço eletrônico biblioteca@ipac.ba.gov.br. O funcionamento é de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h e sábado das 9h às 12h. O acervo é disponibilizado apenas para consulta”.

Alguns dos familiares de Antônio Alexandre foram ao IPAC ver o livro e tiraram uma foto:

Fonte

[POESIA] BRAHMA – JEAN LAHOR (H. Casalis)

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Eu sou o Antigo, o Macho e a Femea, o Mar profundo,
— Mar de onde tudo sai e onde tudo entra, – o Mundo;
O Deus de faces mil, Deus sem nome, disperso…
Eu sou essa ilusão que perturba o universo,…
Meu ser é a habitação dos seres animados.
Sou o antigo avô que não teve antepassados.
Em meu sonho eternal flutuam céus radiosos,
Nascem, morrem em mim os deuses numerosos.
O meu sangue correu na primitiva aurora,
As noites e as manhãs não existiam… e ora
Eu já estava a pairar sobre o oceano obscuro.
Eu sou o Passado, eu sou o Presente, eu sou o Futuro,
?Eu sou a imensa e vaga e profunda substância.
Onde tudo recai e renasce com ânsia.
Sou o corpo imortal, gigantesco, quen encerra
Todos os corpos, tudo o que vive na terra!
Sou o Golfo sem fim que abre inúmeros portos.
Todos os vivos sou, eu sou todos os mortos!
E esses mundos, que fez nascer meu grande sonho,
– O nada, que julgaes o Ser, ultra-medonho, –
São luar, ou visão sob instantâneo açoite,
constelações com que se acende minha noite….
Perguntando-me vós: por que tanta mentira?
– De sonhos precisava esta alta que delira,
De estrelas a florir-lhe a triste imensidade
Para o horror distrair de sua eternidade!
Tradução: Álvaro Reis

[POESIA] O ALBATROZ – CHARLES BAUDELAIRE

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Costuma muita vez, no alto mar, a equipagem.
Prender por diversão os grandes albatrozes,
Que vão serenamente acompanhando a viagem
Do navio, a singrar sobre as vagas ferozes. 

Apenas no convés se encontram, de repente,
Os príncipes do Azul prendem de todo a ação
E ficam-se a arrastar, desajeitadamente,
AS largas asas, quais dois remos, pelo chão.

Esse alado viajor como é tão feito andando;
Ele que há pouco insiste altivo e belo estava!
Vem um queimar-lhe o bico, e outro vem, coxeando,
Imitar o aleijão que altívolo pairava!

O poeta é o Albatroz que entre as nuvens avulta,
Que zomba da procela e afronta os temporais…
Exilado no solo, em meio á turba-multa,
Nem pode distender as asas triumfais!

Trad.: Álvaro Reis

[POESIA] UMA CARNIÇA – CHARLES BAUDELAIRE

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Lembra-te, amor, do que nessa manhã tão bela,
Vimos á volta de uma estrada?
– Uma horrenda carniça, oh que visão aquela!
Aos pedregulhos atirada; 

Com as pernas para o ar, qual mulher impudente
Tressuando vícios e paixões
Abria de maneira afrontosa e indolente
O ventre todo exalações;

Radiante, cozinhava o sol essa impureza,
A fim de tendo o ponto dado,
Cem vezes restituir á grande natureza
Quando ela havia ali juntado.

E contemplava o céu a carcaça ostentosa,
Como uma flor a se entreabrir!
E o fétido era tal que estiveste, nauseosa,
Quase em desmaios a cair.

Zumbiam moscas mil sobre esse ventre podre
De onde os exames vinham, grossos,
De larvas, a escorrer como azeite de um odre.
Ao longo de tantos destroços.

E tudo isso descia e subia em veemência
ou se lançava a fervilhar…
Dir-se-ia que esse corpo a uma vaga influência
Vivia a se multiplicar!

— Era um mondo a vibrar sons de música estranha,
Bem como o vento e a água em carreira
Ou o som que faz o grão que o joeirador apanha
E agita e roda na joeira,

E tudo a se apagar mais que um sonho não era,
– Esboço lento a aparecer
Sobre a tela esquecida, e que um artista espera
Só, de memória, refazer,

De uns rochedos, por trás, uma cadela quieta,
com desgostoso olhar nos via
espiando a ocasião de retomar, á infecta
ossada, o que deixado havia,

— E no entanto ás de ser igual a essa imundícia,
A essa horripilante infecção,
Astro dos olhos meus, céu da minha delícia.
Tu, meu anjo e minha paixão!

Assim tu hás de ser, oh rainha das Graças!
Quando depois da extrema-unção
Fores apodrecer sob a erva e as flores baças,
Entre as ossadas, pelo chão!
……………………………………………………………..

Diz então, lindo amor, á larva libertina.
Que há de beijar-te em lentos gostos,
Que eu a forma guarde, mais a essência divina,
Dos meus amores decompostos!

Trad.:Álvaro Reis